Entre cara e coroa: coração

Era uma bunda destas que convidam à mordida. Coxas grossas, costas largas, ombros de Apolo. E um longo cabelo desgrenhado ao vento. O monumento andava à minha frente. Em passos largos de macho descompromissado. Eu atrás imaginando aquilo tudo na minha cama. Corpo nunca fez a minha cabeça. Inteligência e sedução, sim. Mas aquele homem mexia com cada nervo do meu corpo. E já estava cansada de apenas admirá-lo quase todos os dias.
Tinha que dar um jeito de inverter a situação. A ordem era ser seduzida. O gosto é sempre mais picante quando o homem se acha o dono da situação. Mas que diabo de passo largo! Com minhas belas e longas pernas, mas num corpo de 1,59m, seria quase impossível andar à frente dele. Febrilmente pus os neurônios em busca de uma solução. Não foi preciso. Ele iria atravessar a rua e o sinal estava fechado.
Atravessamos juntos. Na faixa, como politicamente corretos transeuntes. Eu, equilibrando passadas largas no salto alto. Ele, largadão na sua calça jeans (se fosse uma lewis azul clara eu cairia a seus pés) e na camisa solta. Nem aí pra mim, o sacana.
Eis que a sorte me ajudou. Ou o pé prejudicado. Ele, o direito, virou. E fui toda sobre ele. Foi surpresa até pra mim – já que minha intenção era chamar atenção pelos meus dotes físicos, não pela minha des-coordenação motora. É claro que ele se assustou e no reflexo duas mãozonas me agarraram. Ainda não refeita do susto, olhei-o com carinha de anjo. Me endireitei, agradeci e tentei seguir em frente. Manquei como uma moura torta e me xinguei de todos os nomes feios que na infância me proibiram de falar.
De repente, não mais que de repente, sinto uma mão no meu braço. Meu corpo pressentiu: era ele. “Deixa eu te ajudar. Você se machucou?” A pavão-fêmea dentro de mim se eriçou. Não era nada disso que eu queria. Mas uma deusa que se preze não perde oportunidades fortuitas. Preparei meu sorriso mais inocente e dei corda à sedução do macho.
Não deu outra. Na tarde seguinte, estávamos tomando chope no shopping ao lado dos motéis mais caros de BH. Obviamente, escolha minha. E obviamente também, eu ainda me mostrando encantada como se fosse uma menina de estrelas nos olhos a ponto de se entregar ao seu ídolo roqueiro.
Não foi naquele dia. Nem no outro. O cara era um expert em sedução. E estava cumprindo direitinho todos os passos da cartilha. Cada encontro, mais charme, mais sedução. De ambos os lados. Era a guerra dos sexos. Surda, cega e muda. Apenas os sentidos fazendo as alamedas que levariam à praça onde um de nós seria troféu, o outro subiria ao pódio.
Aconteceu. Duas semanas depois desvendamos os primeiros segredos, os mais superficiais. E aos poucos, todos os véus foram caindo. Descobrimo-nos apaixonados. Ele, cuidando amorosamente do meu pé, das horas que roubei ao tempo, dos sentimentos que teimavam em nascer em mim. Eu, comprando roupas novas para sua garotinha de 5 anos, administrando a trancos e barrancos seus momentos de amante, seu tempo de pai. Ele, viúvo. Eu, casada.
Durou pouco. Durou até eu perceber que não queria, não devia, não podia ser a mãe daquela garota. E não conseguia mais tê-lo apenas numa cama de motel. Eu ainda não sabia que entre uma face e outra de uma mesma moeda pode ter apenas coração.


***

Depois deste longo texto, você leva todos os meus beijos. Se quiser, onde quiser!


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Surto de Deusa Pagã

Quero um cafajeste! Não é uma recaída. Recaída foi o amor meloso da semana passada. Hoje começo a semana como comecei o ano. Desafiando os cafas modernos!
Acha que é fácil encontrar um cafa? Coisa mais difícil não existe. Existem muitos que se acham cafas, dizem ser e até dão pinta de. Mas ser cafa é mais do que querer ser. É uma filosofia de vida.
Um cafa, especialmente um cafa moderno, pode ser machão, pode ser feminino, pode até fingir que é mais velho ou diminuir em muito sua idade. Isso não tem importância. Também pode ser amigo, ou inimigo (existem situações em que as brigas só potencializam o tesão), pode ser amante das artes ou dos esportes radicais, pode ser ferrenho defensor do Marxismo (só não pode ser DEM ou PSDB) ou fingir ser apolítico. Pode gostar de bossa nova ou dançar agarradinho um bate-coxa nordestino. O que ele realmente gosta, acredita e é pouco importa a uma deusa. Importa é que ele saiba se transformar no personagem que quiser – ou que exigir o alvo de sua conquista.
Mas tem uma coisa que é imprescindível a um bom cafman: índole donjuanesca e uma inteligência brilhante. Porque um cafa que se preze tem que ter na ponta da língua as palavras mais sedutoras, tem que estar sempre à altura de sua companheira – nunca abaixo ou de lado – independente do quanto ela possa medir. E tem que ser uma figura que inspire todas as loucuras – porque água morna a gente encontra em qualquer esquina.
Ora, você dirá: Tu és uma masoquista? Porque um cafa existe para colocar seu prazer acima de qualquer consideração! Eu te direi no entanto: Desafio, é a resposta. Quanto maior o desafio, maior o tesão! Quero um cafa que seja tão ou mais cafajeste que eu. E que vença o melhor! Ou melhor: que vença o prazer!
O grande problema é que os cafas modernos parecem ser politicamente corretos por demais. Ou não se assumem publicamente cafajestes. Por que será?

Na falta de resposta, reincido na vontade e na poesia. Taí meu grito, sem hipocrisia:


quero um cafajeste

um cafajeste
que devasse pelos olhos
meus segredos
e aguce em meu desejo
os tremores
de uma febre terçã

um cafajeste
que rabisque desvarios
em minha pele
e faça de seu corpo
os sujeitos
da minha inundação

quero um cafajeste
(bem cafa)
que seja apetite
da minha carne
e seja carne
em minha fome

porque alguns homens
a gente ama
(e come)

outros a gente
(não ama)
só come

POETANDO JUNTO:


Wilson Guanais:

CAFAJ(ESTE)

hoje quero bocas
todas as bocas
unhas e dentes
depois escrevo asas
e vôo...

decore minha alma
devore meu corpo

que hoje
só hoje
o poema é minha alma
eu sou
a carne do poema.

***

Beijos e semana incandescentes!


Midi: Folhetim - Luiza Possi



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Superação

Costumo dizer que adoro esticar ao máximo os meus limites. E o faço quase sempre. Mas reconheço: são limites que eu própria estabeleço. Extrapolá-los é um jogo subjetivo, um desafio a que me proponho para sentir-me viva. Ou para sentir-me dona da vida. Mas e quando estes limites são testados por situações que escapam ao nosso controle? Nem sempre é possível mudar as cartas no jogo do destino. Ou recomeçar o jogo. Para algumas pessoas, só resta entregar-se ao inevitável ou lutar contra.

Vinicius é um adolescente especial. Aos 12 anos, uma bala perdida levou-lhe uma perna. Como qualquer ser humano, Vinicius passou da dor à revolta, depois ao desespero e por fim à depressão. Garoto de favela, seu futuro já estava comprometido pelas dificuldades naturais. Depois do acidente, foi arrastado para as ruas. Virou instrumento de mendicância de adultos mal-intencionados. Um dia Vinicius foi atropelado, hospitalizado e levado para uma instituição que tira crianças das ruas. Virou nosso “afilhado”. Hoje Vinicius é um atleta. Para ele, a vida é uma luta diária contra as dores, o cansaço, as limitações físicas, a discriminação. Vinicius recebe ajuda de várias pessoas, mas é a vontade de superar a si próprio que o faz ser um vencedor.

São heróis estes seres, que como Vinicius, conseguem renascer das cinzas? Para mim, são seres a quem a vida testou e que respondem com superação. Não são heróis, mas são especiais, estes seres. Merecem a minha admiração e até mesmo a minha inveja. Porque viver um dia de cada vez e a cada dia lutar contra suas próprias limitações é superar-se continuamente. É ir além, muito além do que eu, e a maioria de nós, chama de extrapolar limites.

***

Dia 18 de maio é aniversário da Shi querida. Ela é uma das pessoas que considero especiais, uma vencedora (e por ser, espero que se veja um pouquinho neste texto), e a quem desejo toda felicidade do mundo!

Dia 18 de maio é também aniversário da Alê, uma amiga sumida, mas não menos querida. Também a ela desejo um mundo de alegrias.

Ainda: Dia 18 de maio é o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. Não se omita: disque 100 e denuncie. Lembre-se: “Esquecer é permitir. Lembrar é combater”

Agradeço a todos que comentaram o post anterior. A cidade dos ipês também agradece!



***

Beijo e beijo.


midi: começar de novo - ivan lins

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Um canto das Gerais

Este texto faz parte da Blogagem Coletiva Coisas do Brasil,
proposta por Andréa Mota, do blog Leio o mundo assim...




Lavras é a cidade dos ipês e das escolas. Uma cidade onde as flores roxas e amarelas pintam de alegria os dias e de pétalas os calçadões. Onde mais de 50% de sua população é flutuante como ondas do mar. Em Lavras começa o Sul de Minas, uma região rica e tão injusta com metade de seu povo quanto o resto do país. Aqui, a divisão se faz bem mais pela cultura. Mais da metade dos lavrenses estão ou estiveram numa universidade. O restante fica à margem do conhecimento. Embora a cidade tenha pontos turísticos lindos e bem mineiros, para mim o maior patrimônio de uma cidade é seu povo. E é desta mistura de pesquisadores, professores, estudantes, fazendeiros, profissionais liberais e a outra metade sem nome que quero falar.

Morar em cidade pequena tem uma estranha força de mudança em quem vem da capital. Começa devagar. Tão devagar que não percebemos. Um belo dia, nos descobrimos vivendo a mesma vida que olhamos de cima ao chegar. Foi assim que cheguei a esta cidade de cem mil habitantes. Com aquele olhar prepotente de quem se acha mais importante porque não tem sotaque caipira. Ou menosprezando disfarçadamente aqueles que engoliam as sílabas finais das palavras e pareciam não ter a menor idéia de que existia algo chamado concordância verbal.

Os primeiros meses que aqui passei foram tediosos. Aos poucos, pequenas coisas, antes imperceptíveis, ganhavam uma inacreditável influência no meu humor. O tédio foi sendo substituído por uma calmaria sonora. Sons que eu nunca percebera passaram a andar comigo. Pássaros ganharam formas e cores. Gatos e cachorros de rua, que eu mal via, adoçaram meu olhar. Outros bichos ainda não me conquistaram, mas já se fazem presentes ao meu redor. Mas o grande diferencial está nas pessoas. Aquelas mesmas que antes me pareciam pouco atrativas e, principalmente, pouco capazes de me acrescentar. São estas as pessoas que estão me ensinando um jeito novo de olhar a vida e olhar a mim mesma.

Mineiro é tradicionalmente um povo arredio e desconfiado. Leva um tempo para se abrir a estranhos (exceção feita a mim que escancaro sorrisos e abraços logo de cara). Mas depois que ele observa calado e devagar, ele abre o coração. E acolhe. Foi assim comigo. Fui acolhida pelo povo desta cidade quando eu nem sabia se o queria. Ganhei vizinhos prestativos, funcionários leais, concorrentes respeitosos. Ainda não adotei a cidade como minha. Toda eu ainda estou em BH. Mas a cidade me adotou. As pessoas me adotaram. Os ipês sorriem para mim todas as manhãs. E as bibliotecas das universidades já abriram suas estantes para a minha fome de cultura.

Agora é minha vez de adotar a cidade. É o que devo a este povo que fala pouco, sorri muito e está sempre disposto a abrir o coração.




***

Meus beijos, meu carinho!


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"Alisson"

Quando eu era adolescente, e me apaixonava por seres inexistentes ou inatingíveis, achava que isso era coisa de gente muito romântica, muito sonhadora, muito tímida, muito carente. Ainda assim, seguia amando o quase impossível.

Hoje, ainda romântica, ainda sonhadora, ainda carente, descobri que ter um “alisson” para amar não é privilégio ou vergonha minha. É do ser humano. É de quem tem sentimento sobrando. E às vezes, é até de quem precisa se defender de sentimentos. Não deu pra entender nada? Explico.

Primeiro vamos à teoria de alisson. Segundo Miguel Luna, esta teoria é uma equação das mais simples. “É só juntar um cara legal, uma garota bacana, platonismo à vontade, alguns itens da Lei de Murphy, e, às vezes, um relacionamento quase perfeito acontece. Quase perfeito. Aí é só bater no liqüidificador e beber o resto da vida entre silêncios e sonhos."

Tive vários alissons. Tenho sempre um me olhando não sei de onde. Meu Alisson é verbo que nunca vira carne. Mas é um excepcional alimento para a minha inspiração, para o meu ego, para a minha auto-estima. Um ótimo escudo também. Quando me percebo solta em algum abismo alheio, lanço mão da sua presença invisível. Quase sempre ele me salva de mim mesma. Os alissons modernos vêm acoplados a várias ferramentas que a tecnologia coloca à nossa disposição. E acaba sendo um platonismo com um tremendo gosto de carne-prestes-a-ser-comida.

Em outras palavras, alisson é minha enorme capacidade de amar o meu próprio amor. Porque eu me amo no amor platônico que dou a ele. Amor variável, porque estou sempre me apaixonando. Mas constante como presença na minha vida. Não me faz mal – às vezes dói um pouquinho. Nem impede que eu me lambuze no calor, no cheiro, no gosto de uma paixão concreta. Antes, me ilumina nas ausências desta paixão. Então, entre um amor-carne e outro, tenho sempre um alisson com quem passeio de mãos dadas pelos terrenos movediços da idealização. Alissons me renovam para o real, para o palpável, para o gustativo.

Capice? Agora me diga: você nunca teve um ou uma alisson na sua vida?


***

Hoje estou correndo de montão (sem sair do lugar, bem explicado). Não vou responder aos comentários feitos no post de ontem. Mas agradeço à Dora, ao Miguel, ao Leandro, à Renata, à Shi, ao Prof. Sérgio, à Boca, à Lívia, à Crys, à Lu, à Taís, à Ana, à Tânia, à Lelíssima por juntarem-se a mim na pieguice!

***

Beijos vermelhinhos



Elvis Costelo - Alison

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Pieguice

Queria levar a vida assim: em doces trancos e deliciosos barrancos, como disse o Jens. Com o descompromisso do post passado (embora ele seja mais superficial do que eu mesma gostaria). Mas a vida é muito mais do que um pé prejudicado ou um tesão desvairado (tudo em mim parece ser desvairado nos últimos tempos). A vida é também pieguice. E hoje vou ser inteiramente piegas.

Cheguei tarde ao trabalho. Não, não perdi a hora embora minha cama fosse o melhor lugar do mundo quando lá fora a temperatura beirava os 9°. Cheguei atrasada porque encontrei novamente aquele menino a quem uma coxinha virou festa. Hoje ele não me pediu nada. Nem me viu. Eu é que o vi virando o lixo. Como bicho. Uma coisa esquisita me correu por dentro. E Manuel Bandeira declamou pra mim o seu poema. Antes do final eu já queria estar em Pasárgada. Como um avestruz fugindo do perigo. E o perigo eram as lágrimas que eu detesto sentir no meu rosto.

Fui a casa dele. No fim do mundo da cidade pequena. Um barraco grudado em mil outros barracos. Umas gentes que olham desconfiadas. Negras. Negras na sua maioria. Pobres. Completamente pobres. (Me lembrei que ontem foi aniversário da abolição dos escravos. Meu Deus, que liberdade é esta onde o negro ainda vive em guetos e não tem nem dignidade para viver?) Uma rádio tocando um funk qualquer, milhões de cachorros famintos me rodeando e olhos escuros, grandes e curiosos de crianças mal acolhidas do frio, quietas e caladas.

Fui lá num destes impulsos dos quais sou tomada vez em quando. Não soube o que fazer lá. A miséria é tamanha que me senti mal em ajudar apenas uma criança. Eu inteira contrastava com tudo que me rodeava. Minhas botas de quase duzentos reais gritaram na minha cara o meu consumismo. E todo o resto de mim virou um dedo acusativo na minha consciência.

Fiz pouco, quase nada. Mas a crise de consciência ficou por lá. Não vou reformar o mundo, nem comprar uma passagem só de ida para Pasárgada. Mas posso um pouco mais do que me preocupar com minhas botas maravilhosas. Posso ligar agora para uma instituição e adotar uma criança. Não uma adoção tradicional. Mas posso, qualquer um pode, doar mensalmente uma quantia para que uma criança não vire bicho virando o lixo.

Continuo apaixonada pela paixão. E com tesão na vida. Mas piegas até o último fio da minha longa e rebelde cabeleira!


***

"Quero que você, me aqueça neste inverno e que tudo o mais vá pro inferno"
Fazer o quê? Com um frio deste e com a minha pieguice, só incorporando meu lado brega e lembrando Roberto Carlos!

***



Beijos ainda vulcânicos!



midi: alma - zelia duncan



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Ainda, metades

Hoje sou toda pedaços. Quero escrever sobre vários assuntos e sei que não vou conseguir fazer elos entre eles. Então, se você não entender nada, culpe a minha loucura. Mas insisto em Oswaldo Montenegro: porque metade de mim é o que penso, mas a outra metade é um vulcão.

Sei que sou tresloucada (palavra arcaica) com meu tempo, o que não me impede de chorar os amigos perdidos. É. Eu tenho amigos perdidos. Gentes que estão na minha lista e que eu não visito mais. Não porque não queira. Não gosto menos deles do que dos novos amigos. É que entrei num tremendo circulo vicioso: fico louca pra visitar quem me visitou. Aí o tempo acaba ( e ainda fico devendo) e a lista continua ali me olhando. Me lembrando. Me cobrando. Eu queria tanto ser só prazer!

Ando com amor saindo pelos poros. Todo tipo de amor. Ontem me vi cantando sob o vento gelado. Os sons viravam vapor antes de se perderem no ar. O que será que acontece com uma mulher que tem recaídas constantes? Eu jurei a mim mesma que 2008 seria o ano da deusa pagã. Só dentes, garras e tesão. Nada de capitu apaixonada. Como se paixão pedisse licença para agarrar o meu pescoço! (Eu estou sendo estrangulada? Credo. Que imagem!)

Tenho um pé prejudicado. É sério. O coitado já sofreu tantas torções, trincas e fraturas que nunca mais será o mesmo. E foi este pé que falseou no pedal do freio. Eu me vi mortinha. Não cheguei perto da morte. Nem bati o carro. Mas o raio do pé teve que novamente ser enfaixado. Nada que eu não consiga administrar. Só mais uma torçãozinha. Dificil é não fingir que dói demais só para ser paparicada por todo mundo!

Andam me chamando de ousada. Não sei direito se isso é elogio. Mas o que me chama a atenção é estar sendo considerada ousada quando a minha autocritica me joga no fundo do poço . Vamos combinar: nem tanto nem tão pouco! Fico feliz em me sentir normal. Só não quero ser comunzinha.
Aqui merece um ps: quase morri de feliz ao ler Jorginho da hora (siga o link e divirta-se) dizendo que a “vosmicê” aqui tem categoria. Olhos bons os deste menino! Valeu pela semana inteira!

Estou inquieta. Quero mudar! Na falta de outras mudanças, sobra o blog. Talvez seja hora do avesso.

Até!

Beijo! Antes que eu vire toda vulcão.


PS. Beijo agradecido aos poetas do post passado. Amo vocês!!!!


midi: billie holiday - as time goes by

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E por falar em amor...

estou amando. Sempre estive amando. Vou amar sempre. Porque amar não é querer a pessoa perfeita. Nem a relação perfeita. Nem o sentimento perfeito.
Amar é não exigir o amor do outro. Amar é aceitar o sentimento como meu. É deixar que ele me transforme no melhor que posso ser.
"E que a minha loucura seja perdoada, porque metade de mim é amor e a outra metade também." (Oswaldo Montenegro)



E por falar em amor, vamos poetar?




Loucura de amar

este amor tão louco
nascido
no inesperado de nós
plantou-nos
perplexos e sedentos
em lados opostos
da saudade

no entanto
ainda que a distância
nos torne velas errantes
é do lado de cá
da esperança
que sempre me terás:

tão tua
tão minha
tão amante

POETANDO JUNTO:



Wilson Guanais:

EU SOU ASSIM...

tudo
que ganho
me ganha
também

tudo
que perco
me perde
também

Boca:

amar
quando o dia acorda cinza
quando a tarde é fria
quando a noite arrebata
alegria!

amar
quando é sim
quando não
sentimentos
desencontros
explosão!

amar
quando no descompasso
um pra lá
um pra cá
juntos caminhar

amar
mesmo quando à distância
implacável
dento
no outro
pra
sempre estará.

Dora Vilela:

União de corpos

só te amar não me basta
quero atravessar
tua inteireza

só me ajustar no teu corpo
não me contenta

quero ficar dentro dele
e não quero renascer.

Jens:

"O amor é uma flor roxa
Que começa na boca
e termina nas coxas"

Karine:

A história começa a dois
A segurança de ter alguém
do lado, junto, dentro...

Enxerga-se no olhar ao lado
Borda o luar em noite crescente.
Aconchega-se nos sonhos alados
Aninha no colo a linda semente.

De repente, sobra um...
A diferença acrescenta.
Descobre-se o amor solo,
Aquele capaz de mudar os sonhos,
Aquele que dá a certeza,
Que faz o mundo vibrar,
E renascer a esperança
De confiar nas próprias emoções!


Tânia:

E ele vai te penetrar as entranhas... Vai te fazer frágil... Vai te fazer forte... Vai percorrer todos os teus espaços em branco; Vai levar calor por cada centímetro de pele por onde passar... Vai causar frio em lugares estratégicos; E, ele vai aumentar tua temperatura para 40º.
Vai te causar convulsão... Vai te fazer delirar... Vai criar uma realidade louca, incompreensível, inimaginável e vai te fazer alternar sonhos e pesadelos.

E ele vai te causar dor... Vai te fazer chorar... Vai te trazer melancolia... Vai te deixar assim desamparado... Vai te sugar as energias.
Vai te fazer perder o rumo... Vai te deixar desnorteado... Vai te fazer exímio mordedor do próprio rabo.

E ele vai te fazer especialista, expert em tudo e coisa nenhuma. Vai te deixar atento aos pequenos detalhes e às grandes sutilezas... Vai te mostrar as nuances, as milhares de tonalidades cinzentas entre o preto e o branco.
Vai te fazer maduro... Vai te mostrar alguns preços exorbitantes.

E ele vai te fazer inquilino do teu próprio corpo... Vai te tomar de assalto... Vai te cuidar... Vai te negligenciar... Vai te preencher por completo...

Ele vai te deixar vazio... Vai ser teu melhor amigo... Vai ser teu pior inimigo... Vai te fazer alternar entre sim e não.

E ele vai te abandonar nas madrugadas nubladas... Vai te fazer companhia nas manhãs de sol... Vai caminhar ao teu lado de mãos dadas...
Vai te fazer feliz...
Vai sair radiante naquela tua foto sorridente.

E tem horas em que você o chamará de ódio.
E tem horas em que você perceberá que é amor.


***

Um beijo vermelhinho! E amor pra todos nós!





midi: as time goes by - billie holiday - para a lu (sumida!) e para o jens (finalmente reaparecido)

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Presentes

Existem presentes que a gente ganha e que se tornam o centro da nossa vida. Filhos são assim. Presentes, esperados ou não, que são eternos em tudo. Para nós, mães, não existe um dia de filho. Todo dia é dia de amá-los incondicionalmente. Talvez seja este o único amor incondicional. Talvez seja este o único amor para o qual vale a pena brigar muito e sempre.

Rosa é minha amiga. Tem filhos que ama incondicionalmente. Um deles é seu presente mais especial. Não o ama mais do que aos outros, porque seria impossível mensurar o amor de uma mãe. Mas este filho fez dela uma mãe inteira. Por ele ela abriu mão de vários sonhos, abandonou vários projetos, readaptou a vida em torno de suas necessidades.

Rosa é feliz. A cada manhã ela agradece as forças do universo por ter aquele filho iluminando sua vida. Através dele ela vê o mundo. Seu olhar é brando, amoroso, tolerante. Ela aprendeu na lida com o filho que amar é não pré-conceituar, é não prejulgar, é não condenar. Amar é simplesmente amar.

Mas há noites em que Rosa chora. Rosa é humana e se cansa. Então chora como a menina que foi. Embala a noite num pranto sentido, calado, escondido. Lava-se das dores para renovar-se no sono. Rosa sabe que a manhã seguinte será mais um dia de brigar pelas injustiças, pelas discriminações, pelo direito de toda mãe ver respeitado o seu filho.

Rosa é uma mãe também especial. Eu a invejo, porque sou apenas mãe. Também choro pelos meus filhos, também me alegro com eles, também brigo por eles. Mas sou mãe diferente dela. De convergência, temos o amor. Amamos nossos filhos. Através deles, amamos o mundo. Porque mãe aprende a olhar com olhos de amor. E tende a ver o mundo sob lentes especiais, lentes de esperança.

Eu, Rosa e todas as mães não precisamos ser iguais. Não precisamos amar igual. Não precisamos ter um dia de mãe. Não precisamos ganhar presentes de filhos. Eles, os filhos, são nossos presentes naturais. Só precisamos de amor. Porque amor com amor se paga*.


* Carlos Drummond de Andrade in As sem-razões do amor


(Este texto é um presente para Rosa, para mim
e para todas as mulheres que se virem nele.)


***


Estou indo lamber as minhas crias. Volto na segunda. Deixo um carinho especial para todos os meus filhos adotivos (que são queridos além do virtual).


Beijaços para os amigos e outros para os amores,
três beijinhos para as amigas (meus diferentes amores).

Dias de amor para todos nós!




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Da série: Os homens que amei

Idéia da série descaradamente plagiada da Cherry



Os poetas

Sempre fui sensível à poesia. É ler/ouvir um poema e me perco, de corpo e alma, no mais profundo da paixão. E esta sensibilidade é facilmente transferida para os poetas. Eu adoro poetas! E como alguns sentimentos têm magnetismo, atraio poetas e poesia.
Poetas são seres muito especiais. Chegam sempre com palavras instigantes e a implícita promessa de beleza na escrita. Às vezes, timidamente. Outras, atabalhoadamente. Seja de uma ou outra forma, deixam o perfume de seus versos encantando os meus ambientes. Eu me rendo. Definitivamente.
Mas poetas são homens. E nem sempre, bem resolvidos – como a maioria de nós. Muitas vezes, por serem ultra-sensíveis, são excessivamente metafóricos. E nos colocam num louco trapézio voador. Vezes sem conta me senti caindo vertiginosamente, sem nunca chegar ao chão. Porque as metáforas me tiram o chão e me deixam suspensa entre o céu e o inferno.
Não foram muitos os poetas que amei. Mas foi profundo o meu amar. Mesmo que, na maioria das situações, o poeta não tenha saído do poema. Porque esta é uma característica deles, os adoráveis, sensíveis, tímidos e eternos meninos-poetas. Eles nos plantam na poesia e, ainda que a gente se debata, dificilmente saímos de lá. Eles são excelentes plantadores, os poetas. Semeiam na gente suas sementes poéticas e, como crianças felizes, colhem os frutos: os poemas. E nos transformam em musa quase inacessível – talvez por isso seja difícil levá-los para a cama.
Poetas são meus amores passados, presentes e futuros. Eu adoro poetas. Adoro ser musa. E adoro ter um poeta como muso dos meus surtos poéticos. Mas ainda não sei se quero, outra vez, me transformar em paixão congelada no poema.


***

Comecei a série pelos poetas porque quero mostrar mais um carinho feito por um dos meus queridos poetas. Este que me fez e continua me fazendo musa. Curta AQUI a beleza da poesia sintética e inteligente deste grande poetinha!

***

PRESENTE DO POETA DÁCIO JAEGGER (de quem sou musa quase abandonada):

(Parafraseando, Bilac que me perdoe)

Ouvir Estrelas

- Ora (direis) amar poetas! Certo,
Perdeste o rumo! E eu vos direi, no entanto,
Que, para amá-los, muita vez precisa
Abrir a alma, o corpo um espanto.

E conversar por longo tempo, enquanto
A Via Láctea, como um dossel aberto,
Estimula. E, ao vir da lua, saudosa e em pranto,
Ainda os procure pelo seu deserto.

Direis agora: - Tresloucada sou!
Que conversas tive com eles? Que sentido
Tem o que dizem quando surtam comigo?

E eu vos direi: - Amarás para entendê-los,
Pois só quem ama pode, musa, ser ouvida
Para capaz de ouvir e de entender estrelas!

***

Um beijo cheio de poesia!




midi: momento - pedro abrunhosa




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Caminhada e Vida

Uma manhã como qualquer outra. Diferente, o vento frio e as ruas ainda vazias. Um sol que vem-não-vem. Cheiro de terra beijada pelo orvalho. O vento cortando meu rosto e o corpo querendo encolher-se. Forço os ombros para trás e os pés começam a caminhada.
Em poucos minutos o andar se torna automático. A cabeça vira um redemoinho de pensamentos. Memórias recentes se misturam a lembranças de outros tempos. Uma pontada de dor. Um resto de saudade. Outra pontada. Raiva. Dou um giro no cérebro, guardo a raiva para logo mais. Transformá-la em tesão é mais inteligente.
Um menino me pára. Moça, paga uma coxinha pra mim? Moça? Benditos olhos infantis. Quase o beijo enquanto entro na espelunca escura. Penso: eu não comeria isso. Saio levando-o para a primeira padaria. Não quero perguntar nada. Não quero saber quantos irmãos tem em casa. Nem se a mãe deixa-os sozinhos enquanto trabalha. Não quero me envolver com a vida desta criança.
Olho para ele. Metade da coxinha foi o primeiro bocado. O que eu estava fazendo ali olhando a criança comer? Quantos anos você tem? Da boca cheia vem uma enxurrada de histórias. Come outra coxinha e as histórias não acabam. Saímos juntos. Ele desce a rua com uma carinha feliz. Eu subo me sentindo péssima. Impotente. A vida daquele menino é mais uma que cruza com a minha. E eu só tenho uma coxinha para acrescentar à vida dele.
Moral de outra história: a fome comendo o mundo e nós, os de barriga cheia, tentando comer uns aos outros.
Quero virar sol!



***

Vale a pena conferir:

Pirata Zine - Cultura e humor

Idéias, ideais e plás com o Pirata, um capitão gôche

***


Um dia feliz para você. Beijos meus.


midi: primeiros erros - capital inicial



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Surto Poético

pretexto

leio
teus fonemas
(poema?)
e o mapa
se encolhe

as distâncias
se transtornam
e entornam
(esperança?)
em minha cama

minha resposta
é grito
(ousadia?)
quase infame
:
te amo
à luz
de qualquer dia

qualquer fome




***




Vamos poetar?

***
POETANDO JUNTO:



Wilson Guanais:



OU NENHUMA DISTÂNCIA

uma Loba
uma lua (cheia)
e...
um poema
sempre

: a menor
distância entre
dois
pontos

no Mistério.

AdéliaTheresaCampos:

de fonemas
só telentendo
se atendo
atenta
ao mapa
de uma fome
teletransportada

Azrael:

Leio com os ouvidos seus fonemas
ouço com os olhos seus gestos
formam um mapa sem distancias
me leva à fome que na cama grita
e infame, respondo
à luz, às trevas...
que dia? qualquer dia




***

Eu não sei se mereço, mas fico ainda mais poesis e cada vez mais vaidosa, narcisista e feliz com o carinho dos meus amigos. Desta vez, o presente vem do Eu_Lírico, AQUI.


***


Beijos surtados! Linda Semana!


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A respeito de... prosopopéia

Anda comigo uma praga. Destas das quais é impossível a gente se livrar. Corta meu sono e faz do meu dia uma sucessão de trinados, chiados e uma miscelânea de bons e maus momentos. Não é praga que me rogaram. É praga dos tempos atuais, assumida por mim com toda dor e delícia em que ela pode se transformar. É que sou uma urbanóide descentrada, desconexa e destemperada. Mergulho profundamente em cada mínima novidade da tecnologia. Navego nela até mesmo sem bússola, tal a minha vontade de vencer os desafios que ela traz consigo. Mas esta praguinha tem se tornado o grande desafio das minhas 24 horas. E me deixado na boca um constante gosto de naufrágio. A danada me alcança seja onde eu estiver e me naufraga em sentimentos variados!

Eu a detesto com todas as minhas forças, mas não consigo me livrar dela. Ora ela está brilhando estridente em minhas mãos, ora vibrando calada entre minhas pernas (especialmente quando estou dirigindo ou...), ora dando vida histérica a uma de minhas gavetas, ora me fazendo ruborizada frente aos meus pares (machos e machistas) reunidos em volta de uma mesa executiva, ora se intrometendo no mais profano dos meus momentos (aqui valem todos os palavrões). Mas o maior drama and a maior incoerência é quando ela está fora do meu alcance. Acontece. Na minha eterna desorganização, vivo deixando coisas atrás de mim. E quando a coisa deixada é a praga, é um deus nos acuda.

Deveria me sentir aliviada, reconheço. Mas me sinto estremecida e invadida até o mais profundo do meu ser. É que a praga é dona de todos os meus segredos – desde os mais inocentes aos mais cabeludos. E entro numa de lançar desesperados pedidos a são longuinho (este santo é um pobre coitado na minha boca) ao mesmo tempo em que as imprecações quase colocam em pane a minha massa cinzenta. Invariavelmente, esta turbulência termina num grito insistente vindo de algum lugar que o meu cérebro demora seculares segundos para identificar.

Você, leitor, deve ter aí ao menos alguma situação em que se sente amando e odiando algo com a mesma intensidade. Eu sei que deve viver esta dicotomia. (Diz que sim e me tire desta horrível impressão de estar soçobrando sozinha nos labirintos do ser ou não ser.) E se você vive ao menos um pouco disso, deve estar entendendo onde quero chegar. Ou será que não quero chegar a lugar nenhum? É provável. Estou tão aperreada (aprendi este termo com um amigo do nordeste e achei o máximo) com esta coisa pequenininha, lindinha e indiscretissima que estou aqui a dizer besteiras. Queria ter a competência e criatividade da Clarice Lispector naquele conto sobre o telefone. Na verdade, estou me sentindo meio como ela...

Ah, vou ter que terminar o texto (sorte sua, leitor). A praguinha está de novo exigindo toda minha atenção. Bendito 88xxxx97!!!!



***


Sejam bem vindos os novos leitores: Ery Roberto, Lorita e Samantha

Meus agradecimentos à Tânia pelo belo espelho que colocou à minha frente no post Espelho, espelho meu



***

A QUEM DEU SUGESTÃO DE TÍTULO PARA O POEMA ANTERIOR:

Vocês só aumentaram as minhas dúvidas em relação a uma escolha (gostei de tudo!!!!). Então vou transformar as sugestões em desafio: vou tentar fazer novos textos a partir delas e, é claro, dar o crédito da idéia a cada um de vocês! Combinado?

***

Beijo pra você que tem paciência com as minhas bobices.



midi: eu te devoro - djavan

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Porque hoje é sexta

me deram um espelho
AQUI






*****************************


POETANDO

(a ser titulado)

enquanto a prosopopéia
negocia desejos
e o sinal da cruz
redime boatos

exponho meus afrescos
e de pés alados
rodopio liberdade

no tremor das carnes
sou livre
pra correr meus riscos


***

Faltou criatividade pra colocar título no texto. Se quiser, coloque um PS no comentário com sua sugestão. Eu escolho.

SUGESTÕES:

Eurico: Alada
Shi: Putaria Sacra / Santa Putaria
Jota: Correr riscos é preciso / Sem frescuras
Esyath Barret: Santa Liberdade
Boca: Livre em Riscos / Riscos Livres
Miguel: Frenesi
Ana Poeta: Prosódia
Cherry: Sem título
Lorita: Obra-prima
Ricardo Rayol - Prosopopeando
Betho Sides - Negócio de amor
Ery Roberto - Livre arbítrio
Cris - Riscos
Paulo - Prosopopéias
Minina - Viva Carne


***

Meus agradecimentos a todos que participaram do post passado, minha admiração pela sinceridade das colocações.



Bom Feriado. Circuladô de beijos pra você!

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Bissexualidade

Somos grandes amigos. Mais que isso. Somos o diário um do outro. Ao diário, conta-se tudo. Especialmente as inseguranças que escondemos do mundo. Para ele conto das inseguranças, estas que me fazem humana, mas pequena para a maioria. A mim ele conta o que gostaria de gritar: gosta de meninas e meninos.

Nada demais. Um homem tem o direito de viver a sexualidade como exigirem seus desejos. Teoria. Porque na prática não funciona bem assim. Somos o que escolhemos e escolher ser bissexual é bater de frente com a falsa moral de uma sociedade castradora.

Um executivo de grande empresa é, em tese, alguém acima de qualquer suspeita. Um modelo. E o que se exige é que o modelo seja o preconizado nos preceitos judaico-cristãos: homem é homem, mulher é mulher. Homem deita-se com mulher. Mulher deita-se com homem. Variações são permitidas, desde que sujeito oculto de todas as frases - firmemente oculto. Ser bissexual parece ser menos agressivo que ser gay. Falso. O gay, depois de anos de luta, de muito preconceito e muito sofrimento, já consegue ter seu espaço, já consegue ter leis que garantam os seus direitos civis, já é um gênero reconhecido. Ainda é alvo de discriminação e preconceitos, mas já está se fazendo respeitado. Já não é mais possível considerá-lo uma “aberração da natureza”. O bissexual não é um gênero à parte. É homem ou mulher. Um ou outro, mas com a sexualidade equilibrada no feminino e no masculino.

Equilibrada? Será esta uma palavra aceita para a bissexualidade? Com certeza não. Meu amigo, ao ser demitido, não sofreu a discriminação clara como merecia. Porque pior do que discriminar é esconder a discriminação, tirando do discriminado o direito de defesa – até mesmo judicial. Não, não foi discriminado abertamente. Foi-lhe dito apenas que, na avaliação dos clientes, a balança pendeu para a insatisfação quanto à metodologia de trabalho. Um desequilíbrio talvez provocado pela falta de investimento nas relações cliente-empresa-cliente. Algo que passa por ISO-qualquer-número.

Enfim, ele está desempregado porque chegou à diretoria o boato de que ele tem um comportamento desequilibrado, imoral e desavergonhado – gosta de meninas e meninos. Fico pensando: se os boatos fossem outros, teria sido demitido? Se chegasse aos ouvidos dos guardiões da moral e dos bons costumes que meu amigo era tarado por mulheres, e comia todas as mulheres, seria ele demitido?

***

Meu agradecimento todo feliz a quem ontem fez esta página virar poesia! Foi delicioso ver que o convite foi aceito e que superou a proposta.

* * *

Um beijo de amor (hoje estou amorosamente vermelha)


midi: wave


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Surto poético


Re-toque

acorde o vôo
e seja pássaro
em mim

colha estrelas
abelhas
arranhe teias

(não me negue
o curto-circuito
do entrelaçar
de nossos cantos)

jorre rio
litígio
rodopio

mas assanhe
qualquer coisa
de mim
***


Quer poetar? Vamos nesta! Escreve aí, coloco aqui.



POETANDO JUNTO:

Wilson Guanais:

FÚRIA

(no bom sentido da palavra)

Quase
corta
o papel
o risco
assanha

poemas
monstros
que eu
não
mostro.

Jacinta Dantas:

DEVANEIO

Na noite quente de lua cheia e plena de luz
suas mãos trêmulas de emoção
me oferecem a taça.
Puro vinho
amor intenso a embriagar-me com
vestígios de medo
paixão
vergonha
desejo e prazer.
Envolvidos no seu manto vermelho
corpo, alma e lábios
se prendem
no encontro de dois num só
acelerado coração.
Tudo é brilho, paixão, energia
Devaneio puro

Esyath Barret:

sentar, inventar
amar e poetar.
Nada como gritar,
implorar, se apaixonar
e mesmo sem rimas
ou sutilezas de poeta,
se assumir como
o fogo da vida:
sendo sempre humano.

Jeanete Ruaro:

(Re-truque)

Traga
apenas
o que me apraz

nas mãos o vento
tão morno e doce
como se
prelúdio ele fosse
de um beijo audaz

Traga nos olhos
a somente única
(não minta.
o meu olhar não mente)
rosa rubra
de pólen repleta
que nas pupilas floresce
e a mim oferte,
se quiser me amar

Caso não queira,
não fustigue
nem me assanhe
Não sou do tipo normal
Jogo o corpo na ventania
depois aguardo
Se fui bem...se fui mal...

Karine:

Mut-AÇÃO

Passa fazendo pirraça
Vem e volta
Nos giros do mundo
Se perde... se encontra
Silencia, grita
Herdeira de si mesmo
Procura alguma coisa
Sem saber o que é...
Eis que a roda-viva
A espreita e, nela se deita
Vive em eterna mutação
Rascunhos, esboços não acabados
Equilibrando-se como pode
Entre ela e ela
Entre ela e o mundo
Entre ela e o espelho
Entre ela e a roda-viva
Por dentro se persegue
Imagina-se forte
Cai a máscara
Torna-se frágil
O verso perde o sentido
A rima não rima com nada
Segue embrulhada no vento
De tempo em tempo
Tira a fina poeira
Da tristeza
Reveste-se de carmim
Sorri pro mundo
Desabrocha seus amores
Florescendo assim seu jardim
Explode-se em cores...

Elise:

(Re-caída.)

Um olhar menino
-doce desatino-
corrompe meu fim de tarde
em plena desfaçatez.

Eu, que jurava o esquecimento
contemplo este atrevimento
a me enrubescer a tez.

E em um ato falho
apaixono-me pelo meu amor
de segunda
pela segunda vez.

Cris:

É carnaval...

Reinventaram a terça - feira fantasia
Na amargura do absurdo alucinada
Se esqueceram de avisar da agonia
Em velha máscara, imponderada , vil chalaça

Creditaram àquela farsa verdadeira
Esperança desconfiança mal desfrutada
Mas olhem bem óh fantochada baderneira
Sobreviventes da tela doce sofismada

Devolvam-me logo o olhar risonho a voz velada
No vaivém do longe - perto sorrateiro
Tanta alegria tanta emoção anunciada
Onda nervosa guardada em prosa num mealheiro

Cada destino de lampejo sabe a cor
Dos turbilhões desejos ânsias algo amoral
Na paz das cinzas ego-paixão dormente amor
O despertar de um sonho vão é Carnaval.

Bia:

Apenas saudade...

Saudade dos passeios
de mãos dadas
garimpando tesouros
guardados na noite
de nossos sonhares
que se prolongavam
pelas madrugadas
azuladas de ternura
e iam despertar manhãs
adormecidas de primaveras.

Ah, saudade, tanta saudade
de um tempo que vivemos
esquecidos do mundo
mergulhados na doçura
da descoberta de nós mesmos.

Saudade até de momentos
que contigo não vivi
das juras de amor
que não trocamos
de sonhos que não tecemos
de beijos que não doamos
de abraços que não nos demos.

Saudade
apenas saudade
que hoje me traz
nas madrugadas adornadas
de quimeras
as mais lindas lembranças de ti!

Boca

Encantamento

Quando num toque
Me inflama
Em ti
Por ti
Derramo
Derramas

Em nosso vai-e-vem
Vem-e-vai
Vamos...
Vôo
Voamos

Na embriaguês desse momento
Somos um só
Único sentimento
Meu abrigo contra o frio e o vento
De novo teu toque
E pressinto
A solidez

... E o nosso (eterno)
encantamento

Valéria:

o que me queima...incendeia?



Repetindo o que é bom:

Canto da Boca - http://cantodaboca.blogspot.com/

***

Beijo estalado. Semana linda pra você!

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Madrugada em demasia

I
Estou em carne viva!
Não, não é uma metáfora. É pele que se virginou longe do mar e ontem foi propositalmente exposta (por uma boa causa). A sensação que tenho é que o meu grande prazer, deitar, virou meu grande tormento. Mas deitar é o fim. Antes passei por uma maratona de dores, incômodos e imprecações. Eu que sempre detestei roupa agora descubro por quê.

II
Antes eu era amante de esportes radicais. Trilha foi minha última tentativa de eternizar os bons tempos. Colar os ossos do último tombo foi dor de não acabar mais. Optei pelo voyeurismo. De novo não é metáfora. Eu realmente me sinto pregando os olhos em alguns desportos (e desportistas). E fazendo parte de alguns esportes. No futebol às vezes me sinto a bola. Mas quase sempre sou o goleador. Do alvinegro, do tricolor e do escarlate.

III
Ando mergulhada em Clarice. Três livros a um só tempo. E aquela revolução na alma me tirando do sossego da alienação. Não gosto de pensar. Gosto do que fica por detrás do pensamento. Mas Clarice é foda. Ela não permite alienações. Nem pequenas confusões. O mundo lispectoriano é tudo ou nada. Então sou tudo.

IV
Ando a procura de anjos. (Cherry, please, me ensina o caminho do céu!) Mas anjos sem cabelos encaracolados. Nada contra os caracóis (se forem do Caetano). É que prefiro anjos caídos – a antiga mania de anti-heróis. E sem a candura dos menos experientes. Candidez demais impede a explosão do que me resta de hormônios. Um Denzel talvez (let me, Shi?) ou um james bond sem dom pérignon.

V
Releve as bobices. Estou em leve estado de nebulosa cerebral.


***


Confira porque é bom:

Florescer - http://www.reflorescer.blogspot.com/
Somente Bia - http://somentebia.blogs.sapo.pt/


***

Colha a semana (e divida o caldo comigo). Com beijos meus.


Midi: moto continua - chico e tom (presente que ganhei. obrigada, querido)

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Laços e nós

Sempre fui dada a paixões indizíveis. Inexplicáveis. Apaixonei-me perdidamente por Peter Pan (ou pelo pó de pir-lim-pim-pim). Depois, vários outros personagens assediaram a minha mente, o meu coração e os meus diários. Voei com Ícaro, me perdi na beleza apolínea, amei Raskolnikov, abusei de Bentinho, me tornei amante de Oliver e muitas outras transgressões imaginárias. Depois vieram os personagens que eu própria criei. Sempre tortos, heróis às avessas. Foi a fase das trevas iluminadas pelos ideais. Os marginalizados, os proscritos, os rebeldes. Eu me sentindo neles e vivendo com eles. Enfim, vieram os normais. Descobri que a normalidade tinha mais de anormal do que eu poderia supor. E voltei a ser livre para amar como e quantos o coração desse conta.
Continuo me apaixonando inexoravelmente. Por amigos que não conheço, por poetas que nunca vi, por palavras que voam ao vento. Apaixono-me por letras, por sentimentos, pela presença, pelo carinho, por retas e curvas. Apaixono-me também por meninos rebeldes, meninas perdidas, mocinhas e bandidos, zumbis e vampiros, anjos e demônios. Pelo tudo e pelo nada. Pelo palpável e pelo inalcançável. Por mim em mim e por mim no outro.
E de laços e nós vou me completando. E se perco um, me sinto perdendo um pedaço da carne. Se um amigo se vai, deixa uma ferida difícil de cicatrizar. E a dor se chama saudade. Se volta, viro prazer. E a saudade faz festa de despedida.
São estes elos, na sua completa inexplicabilidade, que estimulam o meu viver. Estou exposta a eles e deles tiro o alimento que me renova diariamente. Sou parte de um coletivo e sem ele eu não existo. Nele me fecundo e floresço ser. Bicho ou gente. Mas que sente.

***


Beijos in(can)descentes!!!

PS. Eu às vezes tenho a impressão que falo com as paredes. Quer me tirar desta dúvida atroz? Coloque um PS no seu comentário e me responda, please:
Você lê as respostas que dou ao que você escreve aqui?


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Um dia depois de outro dia

Em algum lugar eu me perdi. Talvez no andar debaixo deste blog. Na parte cor de rosa – a cor-limbo que detesto e onde não sou nada.
Não é à-toa que a cor aqui é o vermelho vivo. Não é à-toa que os olhos de quem aqui vem, doem com a estridência da cor. Este blog não é sério. Eu aqui não sou séria. Ou não deveria. Mas estou sendo. E se me conheço, este é o primeiro passo para o fim.
Então, como não quero finalizar nada sem antes alcançar ao menos um dos meus objetivos (juro que não conto nenhum), viro as costas a qualquer pretensão literária (de onde me vem esta insistente vontade de fazer literatura, meu Deus?) e ignoro os chamados do meu pedaço engajado (minhas bandeiras estão todas rasgadas) e volto, serenamente vermelha, aos temas que melhor cabem aqui.

[Respondendo à curiosidade de alguns é preciso dizer: este blog é meu diário, portanto ele se constrói na primeira pessoa. As memórias são minhas (os detalhes sórdidos eu me permito maquiar), os sonhos são meus (mesmo os mais desvairados) e as bobices também assumo como minhas.
Mas há momentos em que quero ser observadora e pseudo-analista da vida alheia. É quando uso a terceira pessoa e me transformo em narradora ficcional. Não narradora da vida como ela deveria ser, mas da vida como vejo, sinto e acredito que seja.]

Então, ficamos assim: volto ao meu lugar-comum. Volto à repetição dos temas, à construção da aquarela de amigos e à constante busca de mim mesma nesta deliciosa troca de palavras, entrelinhas e intenções.

E para que você não saia se perguntando o que veio aqui fazer, escute o que de mais interessante tenho hoje a dizer:

Sou pobre de todas as coisas quando de mim é tirada a possibilidade de sentir a brisa das amizades cultivadas, de mergulhar no amor aberto ou enclausurado, de vibrar na música dos desejos aflorados e de me buscar no espelho das palavras trocadas.


update: hoje é um dia depois de ontem.
Acho que a noite estava pesada sobre mim.
A escuridão carente do texto ficou nas brumas do sono.
Acordei deusa. Sem olimpo, mas Deusa.
Tire a carência e fique apenas com as intenções.


Te beijo (bregamente) carmim!



Este mimo eu ganhei do gaúcho mais gaúchogostoso que conheço. Qualquer discordância em relação ao adjetivo quase superlativo, reclame lá na Toca do Jens!


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Olhar de amigo

é espelho tão mágico que às vezes não nos vemos na imagem que ele reflete!

Foi o que me aconteceu


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Limão e limonada

As ligações mentais que fazemos são mesmo estranhas. Estava escutando roda-viva de Chico e de repente me vejo pensando numa amiga. Ela não está sendo levada para lugar nenhum. Mas de certa forma, a roda-viva está ao redor dela. Olhando-a daquele jeito que diz: te segura ou te levo comigo. Talvez ela não esteja percebendo. Nem sentindo.

Minha amiga é altruísta. Eu não sou. Pessoas altruístas são lindas. Quase exceções neste mundo onde o tomaládácá dita as regras de todos os jogos. As pessoas altruístas estão acima destes jogos. Elas se dão sem pedir nada em troca. Elas se doam quase incondicionalmente. Nem sempre sabem, mas no fundo, bem no fundo, esperam muito das outras pessoas. Talvez não esperem gratidão. Esperam ser vistas, sentidas, tidas sob os mesmos padrões que as movem. Não deixam de ser um pouco ingênuas, estas lindas pessoas altruístas.

Perdi a ingenuidade ao longo da vida. Ficou nos pedaços que deixei pelo caminho. Pedaços arrancados a fogo pelas decepções. Hoje, não sou mais altruísta. Sou apenas solidária quando quero, com quem quero, como quero. E o que faço para alguém, faço para agradar a mim mesma, à minha necessidade de doar-me. Faço para suprir a necessidade que tenho de ter um mínimo de poder sobre mim e sobre as situações que vivo. Também sobre a roda-viva. Eu não me engano: gosto de ter poder.

Mas a minha amiga altruísta sofre porque não se vê no espelho que o outro coloca à sua frente. O outro, aquele a quem ela se doou, mostra-lhe uma página virada. Como se tudo que lhe foi doado fosse mera obrigação do doador. Há pessoas assim. São vorazes receptoras. Não se sentem devedoras porque nada receberam que não fosse devido a elas. Estas pessoas são em grande número. E deste grande número não há de se esperar nada além da indiferença wem relação ao que se viveu. O que se faz para elas deve ser colocado na gaveta de fundos perdidos. Assim, qualquer retribuição virá como lucro inesperado. E o sentimento será sempre de estar acima daquele a quem se doou. Porque o mero receptor é passivo e jamais estará no mesmo nível do doador – o sujeito ativo de qualquer situação.

Minha amiga é um sujeito ativo, mas ainda não sabe disso. Ainda não sabe que a roda-viva, esta que a olha com cara de poucos amigos, carrega os fracos, os passivos, os que dependem de outros para se sentirem fortes. Ela tem a matéria-prima. Basta saber usá-la e terá poder sobre a roda-viva.

***



CONVITE


A net liga pessoas do Brasil inteiro. Interagimos de várias formas, mas pouco sabemos das cidades onde cada um vive. Por isso, a Andréa Motta está propondo uma blogagem coletiva com a intenção de divulgar o que existe de peculiar em cada região, em cada cidade. Não é gostoso falar da terra onde a gente mora?
Quem estiver interessado, basta clicar na imagem e fazer a inscrição.



***

Super beijo de quarta!!!


midi: roda-viva - chico buarque/mpb4

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Post Interativo

Nos fins de semana espichados, costumo me alienar de tudo para exercitar o riso, a alegria e a felicidade de Ser. Então o fim de semana espichado acaba. E a realidade cai dura. Mas o exercício da felicidade me fez nova e pronta para este dia nublado e cheio de cicatrizes das injustiças sociais, da violência urbana, da dengue, da quebra de contrato com o sagrado, das catástrofes, incidentes e acidentes. É, o mundo girou enquanto estive família. Que bom ter família!

Mas hoje é terça com cara de segunda. E para entrar de mãos dadas no mundo real vamos construir juntos este post? Eu pergunto, eu e você respondemos e vem tudo para a página principal:

O que te deixa de saia-justa ou te incomoda muito?

Eu:
Elogios – Não é que me incomode. Eu adoro ser elogiada. Adoro mesmo. Mas não sei lidar com elogios, fico tímida e sem saber o que responder quando alguém me elogia.
Sexo virtual – Eu juro que já tentei, mas sou péssima parceira nesta modalidade. Fico me sentindo ridícula e o tesão evapora!


Agora você:

Adelita:
Alguém perguntar - lembra de mim - e eu não lembrar. Acontece sempre.


Ricardo Rayol:
vixi se eu fosse fazer sairia uma lista enorme.

Fábio Max:
Minha imaginação evapora quando o assunto é sexo virtual... prefiro o bom e velho ao vivo e em cores!

Shi:
O que me incomoda? A falta de empatia de algumas pessoas. Sabe você fazer pros outros o que não gostaria que fizessem com vc? Poisé.

Chuvinha:
Como você, elogios porque as pessoas vêem pouco do muito que sou ( principalmente modesta! rs)
Sexo virtual dá pra fazer se tivermos imaginação e vocabulário, mas é sem graça...hihihihi

Renata
Saia-justa? mmm
Falar demais quando não se deve. Eu sempre solto mais do que deveria... Até já tomei beslicões uma vez pra ser se parava de falr o que não podia.

Carlinhos do Amparo:
Ainda não usei as tais justas rsrsrs Brincando.
Também fico encabulado qdo alguém lembra de mim e minha memória falha... Até pq me considero bom fisionomista e tal... É dureza.

Betho Sides:
Pessoas que perguntam a mesma coisa, mais de uma vez...

Fernanda:
Há várias coisas que me incomodam muito; assim de repente, pessoas com tiques, tipo estar sempre a repetir a mesma palavra. Mal-educados que entram nas lojas sem cumprimentar e se dirigem à empregada sem mais!
Elogios tb me deixam sem graça!

Dora:
Loba! Sabe o que me incomoda e me deixa sem ação? Pessoas grosseiras, que falam alto, que impõem suas idéias aos gritos...Eu fico tão "catatônica"...rs que até esqueço quem sou, onde estou...rs Já tive diretor de escola assim...logo no início de minha carreira, como professora recém saída da faculdade.
Foi uma experiência marcante!
Tive outras. Melhorei nas minhas reações. Mas, continuo com problema de ter a mente transformada em "vácuo", diante de falta de polidez, nos diálogos.

Jacinta Dantas:
Caramba!
tem tanta coisa que me incomoda. Mas o que ganha em dispara é a sensação que tenho de que estamos reféns do desamor.
Parece que "desaprendemos" a amar.

Cris:
Tanta coisa me incomoda!Uma só: injustiça.
Sexo? Não consigo falar em público. É pessoal demais.

Tânia:
Meus momentos de saia-justa é escutar alguma ignorância, alguma coisa burra, alguma estupidez em ocasiões sociais e por ser uma ocasião precisar ficar calada...rssss...Mas dizem que o olhar diz tudo o meu ao escutar grita...
O que me incomoda? Novamente a Ignorancia(total=emocional,intelctual, sentimental) e Hipocresia, esta última me incomoda um tanto mais...

Elis:
Saia justa..hum... eu fico quando tenho que falar em publico.. fico muito sem jeito.. timida... gostaria de vencer isso.

Ká:
Então... o que me deixa de saia justa? Diria que um tantão de coisas!
Mas o que realmente me deixa de saia justa é algo que acontece inesperadamente (que pode ser positivo ou não) Por exemplo, essa semana, alguém saiu do carro em plena praça, assaltou o jardim e me deu uma rosa... fiquei de saia justa, mas da boa.
Saia justa negativa: quando minha boquinha é mais rápida do que o cérebro e dispara palavras sem pensar. Ou seja, falar mais do que devo.
O que me incomoda, sempre incomodou e tenho cá comigo que sempre vai me incomodar é injustiça. Fico fula da vida quando vejo ou sou refém de uma.

Jens:
O que me incomoda muito? A deslealdade, não honrar a palavra empenhada. Sou um cara das antigas.


Beijo-Beijo. Ótima semana.


PS. Sobre o post Analfabetismo:

Não gosto muito de expôr o que faço para quem tem muito menos do que eu e que, pra mim, é uma obrigação de cidadã, mas a proposta era dar exemplos. Agradeço os comentários e a gentileza de quem leu.


Midi: Lembra de mim - Ivan Lins - Para Adelita

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Analfabetismo

Hoje é dia da blogagem coletiva, proposta por Geórgia e Meiroca, contra o Analfabetismo. Eu, que tanto nela falei, estou aqui a pensar no que escrever. Não quero repetir o que, sei, muitos farão. Mas ser original num tema deste é para quem é muito criativo. Não sou tanto assim. Pensei num poema. Tempos atrás acho que até faria um poema legal. Mas tempos atrás é passado. Não tem outro jeito, vou continuar olhando meu próprio umbigo e contando de mim.
Como educadora idealista que sou, sempre me incomodei com o analfabetismo e com a falta de letramento deste povão do nosso Brasil. Porque não basta ser alfabetizado. É preciso saber ler e entender o que se está lendo. Quando pequena, e os livros eram grandes companhias, eu não entendia como a filha da nossa empregada não tinha o menor interesse neles. Mais tarde descobri que a mãe não sabia ler e os filhos só liam e escreviam o que era obrigatório na escola.
Cresci. Tive minha primeira empregada. Ela era uma mocinha vinda do sertão da Bahia, trazendo consigo uma série de expressões regionais, um gingado todo sensual e um completo analfabetismo. Nunca se interessara por nada que tivesse letra nem achava que era necessário interessar-se. Este foi meu primeiro desafio de professorinha recém-formada. Ela saiu da minha casa formada em contabilidade. Daí em diante, todas que desfilaram entre as minhas paredes saíram gostando de ler. Houve até uma, a Ângela, (uma menina que levava escondido minhas roupas, nos fins de semana, para impressionar os carinhas do seu bairro) que chegou a fazer poesia. Esta era espertinha. Com certeza anda escrevendo por aí.
Minha vontade de espalhar conhecimento não ficou nisso. Como educadora, criei vários projetos envolvendo comunidades de baixa renda e os meus alunos de classe média. Coisa fácil de se fazer. Basta apenas a gente querer. Mas meu grande encanto agora é outro. É a biblioteca que estamos criando na nossa empresa.
Começou assim: levei alguns dos meus livros – os mais fininhos (é importante levar em conta o desânimo de um não-leitor frente à espessura de um livro) e mais fáceis de serem lidos. Coloquei numa estante, na entrada do refeitório. Um passava e olhava. O outro pegava e largava lá. Outro vinha e folheava. Um dia, um deles pegou e levou para a mesa do refeitório. Dias depois, eram três.
Hoje, temos vários livros doados por todas as pessoas que conheço e um terço dos funcionários é leitor assíduo. Ainda há muito a se fazer. Mas em breve já teremos mais duas leitoras. Duas das faxineiras entraram para a “aula noturna”. Querem descobrir o que há naqueles livros que piscam para elas todos os dias.



Um beijo pra você que me lê e entende o que quero dizer!



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Ciclos

Sentada à beira do mar eu me sentia. Agudamente. Como se fosse uma coisa nova e desconhecida. Não havia sinônimo para mim. Nada naquele mar imenso que respondesse à única pergunta que eu me fazia. Uma mulher com nada nas mãos. Nada no corpo. Nada na mente. Por que então a alma era repleta de tudo?
Era a hora da morte do sol. O alaranjado que cobria o fim do mar parecia fogo que queimava longe de mim. Perturbada. Era como eu estava. Eu que nunca me conheci inteiramente, agora me desconhecia completamente. Mas não bastava esta constatação. Era preciso derramar a alma naquele chão de madeira. Tendo-a à minha frente, nua, eu procuraria o equilíbrio. Sempre foi difícil encontrar o meu equilíbrio. Sempre pendi para um lado. Torta. Nem sempre atormentada. Mas eu estava perturbada. E a alma, alienada do resto. Na sua fome voraz de sentir tudo ao mesmo tempo. Na sua imperiosa vontade de seguir rumo ao sol poente.
Por trás, os braços me acolheram. Meu corpo sentiu-se em porto seguro. De olhos fechados senti o calor conhecido dando vida à minha mente. Meus braços fecharam-se à minha frente. Mãos presas nas dele, aportei na razão.
Eu não era mais uma mulher com nada nas mãos, com nada no corpo, com nada na mente. Voltara a ser uma raiz da terra. A outra, o pássaro do infinito, fora-se naquele barco que o horizonte alaranjado engoliu.
A metade-chão convidou-me ao re-plantio. Era preciso fortalecer as raízes e vicejar nas arrebentações. Até que novo vento tocasse minha pele, emaranhasse meus cabelos, sussurrasse em meu imaginário e, inexoravelmente, me fizesse náufraga em nova paixão.


(divido este texto com quem descobriu que paixão é essencial,
mas é preciso saber a hora de cuidar das raízes)


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Embora eu tivesse apenas a intenção de ressaltar, de uma forma geral, a injustiça do pré-julgamento e, como professora que sempre serei, as vantagens de se amadurecer um texto, o post passado me trouxe de presente deliciosos, inspirados e reconfortantes afagos. Amei. Senti-me a loba - este ser narcisista, exibicionista e altamente sexual (fazer o quê, né?) que vos fala! Não vou responder aos comentários, mas saibam que gosto um tantão de vocês e agradeço a todos com um beijo muito carinhoso.

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Amanhã é o dia da Blogagem Coletiva contra o Analfabetismo. Se você teve ou tem alguma ação que levou alguém, mesmo que seja apenas uma pessoa, a sair da escuridão do analfabetismo, conte para todos. Precisamos de idéias que levem a ações efetivas. Precisamos aumentar cada vez mais o exército das formiguinhas que trabalham silenciosamente na construção deste país. Porque uma nação se constrói, especialmente, com a disponibilidade e disposição de seu povo.